quinta-feira, 20 de julho de 2017

Usuários x psicólogos x Comunidades Terapêuticas



Neste artigo tenho muito o que falar, pois não sei o que realmente estar acontecendo no aspecto políticas sobre Drogas. Seminários e eventos acontecendo eu não consigo enxergar os usuários e a população de rua nesses debates. Meu sonho vai ser realizado no dia em que os conservadores e, alguns psicólogos e representantes de Comunidades Terapêuticas, parassem de fazer calunia sobre mim “ Carlos Sousa “. Nesses últimos 10 anos, desde o CAPS e a Fundação Monte Tabor, em Piripiri (PI), aonde estive em procedimentos terapêuticos. E lá eu tive uma visão sobre dependência química e acolhimento a usuários. Em outros projetos terapêuticos na capital Teresina/PI, eu tive novas e outras experiências. Estudei muito a temática por meses e anos. E já por anos observei elites defendendo estratégias terapêuticas para fins políticos. Isso me preocupou bastante. Ouvi depoimentos de vários usuários em recuperação. Escrevi muitos dos relatos deles para eu ler no futuro para uma avaliação. Muitos questionaram sobre o acolhimento e sobre os educadores dos projetos terapêuticos. Até hoje eu me pergunto por que cobrar taxas para participar de um debate sobre drogas? Quem vai pagar para as pessoas em situação de rua participar de um seminário ou debates sobre drogas? De quem é o interesse a final?  

Acredito que estão me jugando mal já alguns meses. Alguns pastores conservadores dizem que eu sou do mal, dizem que eu quero usar a política de redução de danos para fazer coisas erradas, dizem que eu sou usado pelo diabo, quem fala muito isso é os conservadores. Por que esse ódio contra mim? Defendo todas estratégias sobre assuntos relacionado a Drogas. Agora nesses últimos 3 anos estou defendendo a estratégia (RD) Redução de Danos. Estou estudando bastante o tema, fiz análises arriscando a minha vida entre os usuários dentro de periferias aqui na capital, pois queria ver de perto a atual situação. Estou triste por causa do silêncio de alguns psicólogos aqui em Teresina. Sempre me ofereci para participar diretamente nos trabalhos e articulação, mais fui dispensado por algumas vezes. Observei que há um interesse por traz dessa droga toda. Em 2013 fui chantageado para sabotar a criação da (FECOMTEPI) Federação das Comunidades Terapêuticas do Estado do Piauí e eu não me corrompi. Fui honesto com todo o grupo. Tive altos e baixos durante minha vida de adcção, mas o grupo de conservadores me afastou da diretoria da (FECOMTEPI) porque eu defendi que católicos e evangélicos têm seus projetos. “Por que não criar outras estratégias: Centros Espíritas, Umbanda e outras religiões afro podem abrir centros terapêuticos? Eu apoiei que sim e logo me excluíram do grupo e disseram que eu estava sendo usado pelo diabo. Isso aí me deixou triste, pois observei que o grupo da (FECOMTEPI) estava muito reservado, resumido em religião evangélica, descriminando outras religiões. Ali caí no real contexto que era um retrocesso sobre a políticas sobre drogas. Aqui encerro este texto mostrando a carta que eu defendo hoje. Esta carta é humanizada e atual, elaborada na cidade de São Paulo.

leiam :

CARTA DO FÓRUM ESTADUAL DE REDUÇÃO DE DANOS DE SÃO PAULO
26 de Junho de 2017
Defendemos uma ética do cuidado inclusiva e compartilhada que respeite as diferenças, promova a autonomia e a escolha dos sujeitos. Na redução de danos é primordial a desconstrução de estigmas e da lógica moralista e punitivista que prevalece na sociedade atual quanto ao uso de drogas. No estado laico, a prevenção e a assistência do consumo problemático de drogas requerem a construção de caminhos para conhecer e suportar a diversidade, ampliar e garantir possibilidades de vida, e também de acesso aos cuidados.  Assim, reafirmamos ações extramuros, que ultrapassem os limites institucionais e reconheçam o território como lugar de potência para intervenções e invenções no campo das praticas de redução de danos. 

No cenário atual temos aumento das Organizações Sociais (OS), sobretudo no campo da saúde e assistência social, o enfraquecimento dos movimentos sociais e a dispersão dos trabalhadores, implicando na precarização das condições de trabalho. A escassez de capacitações e supervisões  para os profissionais que atuam junto a pessoas que usam drogas, gera fragilidades nas práticas de cuidados e nos vínculos com os usuários.  A falta de compreensão das políticas previstas e a personificação das ações e o não entendimento do que é a premissa da garantia de direitos, implica em ações que fomentam e facilitam a retirada das escolhas do sujeito enfraquecendo assim, qualquer forma de autocuidado e acompanhamento por parte dos profissionais. 

Precisamos afirmar as politicas públicas intersetoriais (Saúde, Assistência Social, Justiça, Segurança Pública, Educação e Cultura, entre outras) na lógica de redução de danos, isto é, não moralistas, assistencialistas, proibicionaistas e/ou paternalistas. A complexidade do fenômeno das drogas requer uma grande rede de serviços e profissionais comprometidos com uma ética do cuidado. Defendemos, portanto, que o preconceito, a criminalização e a segregação, pela truculência policial, violências sistemáticas, higienização social, e o encarceramento de pessoas pretas e pobres, não sejam as respostas de intervenção e cuidado.

Acreditamos que é imprescindível mudar essa realidade em que a corda sempre estoura do lado mais fraco. O estado não pode ser uma instituição potencializadora de danos, e sim garantidora de uma sociedade na qual os sujeitos partam do mesmo lugar de direitos.

Carta feita a partir das contribuições dos participantes do encontro do dia 26 de junho de 2017. 


algumas imagens de experiência :
             fundação monte Tabor 2011

MP3-Movimento pela paz na Periferia /2013
             associação fraternidade o amor é a resposta /  2016
                      fundação monte Tabor / 2011
 Time de futebol da associação terapêutica nova criatura /2014
 associação terapêutica nova criatura 2014
                        fundação monte tabor /2011
                     fundação monte Tabor /2011
      Associação terapêutica nova criatura /2011
                          Diadema /SP / 2010

       Basquete Escola itinerante / atual 2017

Texto e edição  : Carlos Sousa



6 comentários:

  1. Legal, Carlos. Gostei do seu texto e da carta. Apresente a outros rds, psicólogos e terapeutas. É fundamental ter parceiros. Talvez também possa procurar

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  2. opa legal amigo vou fazer isso já,já,.. positividades ,.

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  3. É carlos as veses me sinto assim tb más vamos em fente com essa luta.

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  4. Muito relevante a profundidade desse texto no enfoque sobre as questões sociais e no que tange o enfretamento desse problema das drogas, assim como os psicotropicos e psicofarmacos.

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