sábado, 15 de abril de 2017

10 crimes que chocaram os Piauienses




1º - motorista Gregório


"A história do motorista Gregório incorporou-se à cultura popular, perpetuada em milhares de fiéis que diariamente suplicam para alcançar graças pelos mais diversos motivos. Mas nem sempre o que cai no domínio popular corresponde à verdade. A versão de um crime que abalou a capital piauiense, no final da década de 20, apresenta desdobramentos controversos. Iniciado na cidade de Barras, a pouco mais de 100 km de Teresina, o episódio que envolveu Gregório Pereira dos Santos ainda está envolto em mistérios.
Conta a versão popular que o motorista atropelou uma criança nas ruas de Barras, no dia 14 de outubro de 1927. Era um menino, que veio a falecer dois dias depois. Gregório foi trazido para Teresina, amarrado a uma árvore às margens do rio Poti e executado pelo tenente Florentino de Araújo Cardoso, Delegado de Polícia de Barras e pai da criança. Faleceu com sede e fome, sem que lhe ouvissem as súplicas. Essa é a versão que corre as ruas. No entanto, ainda persistem muitas situações adversas, que culminaram com a dupla tragédia. Embora algumas constatações contradigam a história, por outro lado ajudam a melhorar a sua compreensão.
Esta é uma obra de ficção. Não foi escrita para reconstituir uma verdade histórica, mas para dar um ar romanesco à trajetória de Gregório até Barras e para compreender o seu envolvimento com a cidade e as razões do crime que o abateu. Um simples mortal, de vida sem muita expressão, sai do anonimato para transformar-se em mártir de mais de uma geração. A probabilidade do seu poder de cura, como por décadas vem sentindo um povo de fé, é mais um mistério que envolve um paraibano que teve a vida ceifada pelo abuso de poder e pela incontrolável ação de justiça pelas próprias mãos."
Trecho do livro:
“Por um tempo imperceptível Gregório sentiu que todas as suas esperanças haviam se esvaído. Esperança de continuar a viver, de rever a família, de se dedicar mais à sua profissão, de sentir que não havia dúvidas sobre a sua inocência. As pernas enfraqueceram, o corpo cambaleou, a integridade desmoronou, a esperança se foi. Os joelhos curvaram-se para frente e tocaram o chão como se implorassem por uma última chance. O corpo não suportou o peso de tamanha injustiça praticada. Caiu de bruços, manchando de sangue o chão e a vida do tenente. O rosto de encontro à terra, o corpo revirado, a alma despedaçada, uma tragédia dissipada no ar desesperador daquela manhã. Os gritos, os choros, o desespero das testemunhas eram a maior prova do absurdo cometido. Findou-se uma vida em sua plenitude. Ceifaram-se as esperanças. Acabaram-se os sonhos, enterrou-se o futuro. Nada mais havia que trouxesse a harmonia de volta. Vingança, desespero, ódio, irracionalidade, preconceito racial. Muitas razões sobravam na mente do matador, mas poucas foram as chances da vítima. Só restou um corpo humilhado, sob os olhares pasmos dos que presenciaram a cena. Sete da manhã de 17 de outubro de 1927. Caiu morto, sem chances de defesa”..

2º- Jornalista Donizetti Adalto dos Santos

Ele foi morto no dia 19 de setembro de 1998, pouco antes de uma hora da madrugada. Faltavam 15 dias para as eleições em que concorria como candidato a deputado federal favorito nas pesquisas.
A morte do jornalista causou grande comoção popular. Seu corpo foi velado no Ginásio de Esportes O Verdão, por onde passaram centenas de milhares de pessoas.
Os matadores do jornalista foram descobertos poucos dias depois do crime, causando surpresa a acusação contra seu próprio companheiro de chapa, o candidato a deputado estadual Djalma Filho, à época vereador da capital e acusado pela autoria intelectual do crime. Pode-se dizer, ainda, que sua morte causou uma verdadeira reviravolta na política estadual.
O Ministério Público Estadual, através do procurador-Geral de Justiça em exercício Antônio Ivan e Silva, apresentou denúncia contra Djalma da Costa e Silva Filho, Francisco Brito de Sousa Filho, Sérgio Ricardo do Nascimento Silva, João Evangelista de Menezes, Ricardo Luiz Alves da Silva e Fabrício de Jesus Costa Lima. Djalma perdeu o mandato como vereador por quebra de decoro parlamentar, mas nunca foi levado a julgamento pelo Tribunal de Justiça do Estado. Os demais acusados cumpriram pena pelo crime. O ex-policial civil Pedro Arcanjo da Silva Filho também foi denunciado por participação no homicídio.
A peça acusatória é bastante clara quanto à autoria do crime. Diz o seguinte, no tópico inicial: “Baseado em inquérito proveniente do 2º Distrito Policial desta cidade, que teve a colaboração da Polícia Federal deste Estado, relata o órgão denunciante, em resumo, que no início da madrugada do dia 19 de setembro p. findo, na avenida Mal. Castelo Branco, nesta Capital, próximo à ponte sobre o Rio Poty, que dá acesso à Universidade Federal do Piauí, os denunciados, em conluio e de emboscada, impossibilitando a defesa da vítima, praticaram, a tiros de arma-de-fogo, crime de homicídio qualificado, considerado hediondo, na pessoa de Donizetti Adalto dos Santos, jornalista e candidato a deputado federal às eleições de 04 (quatro) de outubro último. Relata mais que, ainda agonizante a vítima, os denunciados, reunidos em quadrilha ou bando, torturaram-na, aplicando-lhe golpes com cabo de revólver na cabeça, face, orelha direita e região orbitária direita, causando-lhe, inclusive, traumatismo nas unidades dentárias.”
O MPE também não deixa dúvidas quanto à autoria intelectual: “... as provas colhidas demonstram que a autoria intelectual do crime recai sobre o primeiro dos denunciados, o (então) vereador à Câmara Municipal de Teresina, Djalma da Costa e Silva Filho, candidato a deputado estadual pelo mesmo partido da vítima e seu companheiro de campanha política, que, simulando um assalto e integrando-se aos executores do bárbaro homicídio, decidira eliminá-la de forma brutal e covarde, objetivando atrair para si o sensacionalismo da imprensa e a conseqüente solidariedade popular, de modo a reverter a seu favor a intenção de votos presumivelmente destinada ao candidato falecido - àquela altura, consoante a denúncia, despontando no cenário político local com invejável índice de aceitação popular.”
De acordo com a denúncia do MPE, Djalma Filho teria combinado pagamento de R$ 6 mil aos pistoleiros contratados para a execução do polêmico jornalista. Donizetti era conhecido pelo jargão “Pau na máfia”, com o qual marcou também a sua campanha eleitoral. Ele costumava dizer em seus programas: “Morro e não vejo tudo!”
Nunca imaginou que seria morto a mando do seu próprio companheiro de chapa, tendo em vista que dormia tranqüilamente no banco do passageiro segundos antes do crime. Ele e Djalma retornavam da residência do então presidente estadual do PPS, Acilino Ribeiro, depois de um comício na zona norte da capital.
No Piauí, o jornalista trabalhou no Sistema Meio Norte de Comunicação. Inicialmente, na TV Timon, entre 1987-1989, quando apresentou, juntamente com seu companheiro Carlos Moraes, o programa “Comando do Meio Dia”. Em seguida, transferiu-se para a TV Pioneira (hoje Cidade Verde), onde permaneceu por pouco tempo.
Também montou um jornal bastante polêmico, denominado “Comando”, através do qual fez séria oposição ao governo Freitas Neto (1991-94). Na segunda fase, Donizetti apresentaria, a partir de 1986, o programa “MN 40 Graus”, onde permaneceu até 1998, quando foi afastado por se desentender e quase brigar no ar e ao vivo com o deputado Leal Júnior (DEM). Costumava dizer que era um “cão de guarda” do empresário Paulo Guimarães, proprietário do Sistema Meio Norte de Comunicação, por quem teria grande afeto e admiração. O mesmo não se pode afirmar em relação ao empresário. Na TV e Jornal Meio Norte, empresas do grupo de comunicação de Guimarães, o nome de Donizetti foi banido. Suas imagens também foram recolhidas a um arquivo morto.


3º - Fernanda Lages


A estudante de Direito, Fernanda Lages Veras, 19 anos, filha do ex-vereador de Barras/PI, Paulo César Lages Veras, foi encontrada morta na madrugada de uma quinta-feira  (25) de agosto de 2011, na obra da construção do prédio da Procuradoria Regional da República, localizado na avenida João XXIII, em Teresina-PI.  A vítima apresentava escoriações por todo o corpo, inclusive na cabeça, com golpes desferidos com barra de ferro.
De acordo com a assessoria da Procuradoria Geral da República, segundo informações do vigia da obra do MPF, o suspeito é um homem que foi com ela até o local na madrugada desta quinta-feira. Segundo ele, a vítima e o agressor deixaram o carro na avenida e teriam chegado à obra do MPF pela construção do TRT em um local onde não há cerca. No chão há massa encefálica, muitas gotas de sangue e pegadas. A vítima estava de vestido, com a chave do carro e celular e um sapato vermelho. Segundo as primas da garota, ela morava em Teresina com os tios, trabalhava em uma loja no shopping e era estagiária de um fórum de uma faculdade particular.  A vítima teria ganhado um carro há pouco tempo, um Uno preto, encontrado na frente da obra.

4º- crime da domestica assassinada em Teresina/PI (1970)

5º- Estupros coletivos e feminicídio: O Caso de Castelo do Piauí

Em 27 de maio de 2015, por volta das 16h, quatro adolescentes – duas de 17 anos, uma de 16 e uma de 15 – decidiram ir de moto até um ponto turístico próximo à cidade de Castelo do Piauí, a 190 km da capital Teresina, para fazer fotos para um trabalho escolar. Quando deixavam o local, foram rendidas por cinco homens – quatro adolescentes e um adulto – que obrigaram uma delas a amarrar as amigas a um pé de caju .Na sequência, elas foram espancadas até desmaiarem e estupradas ao longo de duas horas.
Após os atos de violência, as garotas foram jogadas do alto de um rochedo de dez metros de altura, conhecido como Morro do Garrote. O homem que supostamente seria o mentor do crime ordenou que dois rapazes descessem, verificassem se alguma havia sobrevivido e apedrejassem a cabeça de quem vissem balbuciar.

Após os crimes
A Polícia de Castelo do Piauí descobriu as motos das adolescentes enquanto buscava pistas de um assalto que havia ocorrido dias antes em um posto de gasolina. Um parente de uma das garotas viu a Polícia levando as motos e, no final daquela tarde, sem notícias sobre o paradeiro das quatro jovens, os familiares e amigos decidiram se unir e sair à procura.
Era noite quando as quatro jovens foram encontradas amordaçadas e com ferimentos graves pelo corpo. Uma delas estava consciente e, ao ver o grupo de homens se aproximar, disse: “para, pelo amor de Deus”, pensando serem os estupradores. Depois, chorou ao reconhecer os amigos.
As garotas foram levadas ao Hospital Municipal Nilo Lima. De lá, foram transferidas para o Hospital de Urgência de Teresina (HUT) e uma dela para um hospital particular, por decisão da família. Dez peritos do Instituto Médico Legal (IML) examinaram as garotas e encontraram material genético embaixo das unhas, o que indica luta com os agressores.
Em entrevista à imprensa local, o delegado encarregado da investigação, Laércio Evangelista, classificou o caso como bárbaro e cruel. “Eles cortaram os pulsos das meninas, furaram mamilos e olhos e depois ainda as arremessaram de cima de um morro”, relatou.
Após dez dias de internação na Unidade de Terapia Intensiva, Danielly Rodrigues, de 17 anos, faleceu no dia 7 de junho. Ela sofreu esmagamento do lado direito da face, lesões pelo pescoço e traumatismo torácico. Danielly passou por três cirurgias, mas os médicos não conseguiram evitar as complicações em decorrência das hemorragias na região do tórax.
As outras três adolescentes sobreviveram. Duas sofreram lesões pelo corpo e outra sofreu traumatismo craniano e recebeu alta pouco mais de um mês após o crime.
Para auxiliar as famílias das vítimas, um grupo de amigos das garotas criou a campanha Flores para Elas, que além de levantar recursos financeiros também arrecadou mensagens de apoio. O dinheiro foi utilizado para cobrir despesas com passagens, alimentação e hospedagem dos parentes das adolescentes em Teresina, além de ajudar a custear o tratamento das garotas.
As sobreviventes se mudaram para a capital do estado, onde deram continuidade aos estudos e seguem fazendo acompanhamento médico e psicológico.

6º- assassinato do jornalista Helder Feitosa Cavalcante

brutal e covarde assassinato do jornalista Helder Feitosa Cavalcante, diretor-presidente do complexo de comunicação Jornal “O ESTADO- rádios Poti AM e FM. O jornalista foi morto 17 tiros a queima roupa dentro de sua casa, no bairro Horto Florestal, zona leste de Teresina, dia 28 de julho de 1987 enquanto dormia. Apesara da denuncia do Ministério Público apontando mandante e autores, o caso prescreveu sem julgamento, porque a Justiça não aceitou a denuncia.
Madrugada de terça feira , 27 para 28 de julho de 1987. O jornalista Helder Feitosa chegou em casa ainda cedo, 22hs. Saída do jornal O ESTADO, avenida Centenário, 1200, bairro Aeroporto depois de uma tarde de trabalho na redação, após retorno de uma viagem a Fortaleza sua terá natal. Por volta de 1h40 cinco homens chegaram a casa isolada no meio da mata no bairro Horto Florestal, renderam o vigia e a empregada doméstica, escalaram o 1º piso e encontraram Feitosa no quarto. A perícia diz que deve ter havido um rápido diálogo, pois havia tiros nas mãos, como que a vítima tentando se defender. Foram 17 tiros. Socorrido por mim pelo jornalista Montgomery Holanda a chamado da doméstica após a fuga dos assassinos, Helder morreu dentro do carro de Montgomery em cima da ponte Juscelino Kubistchek a caminho do Pronto Socorro do Hospital Getúlio Vargas. O óbito foi atestado pelo médico ainda residente, a época, Dr. Valadares.
A Morte de Helder Feitosa comoveu o Piauí pela maneira como foi executado: covardemente, sem chances de defesa. O assassinato gerou, outro crime: a prisão arbitrária, abusiva e sem provas, de três inocentes: Nikita, Parsifal e Cabral só porque eram desempregados e usuários. O governador Alberto Silva determinou que a Polícia elucidasse o fato. Para tanto, e trouxe de Brasília para Teresina, o advogado Aidano Farias, que se dizia Detetive. Foi ele quem agiu para prender os três supostos acusados com práticas primitivas para confessarem um crime que não cometeram. Não fosse a atuação do advogado Cadena Neto, quem sabe, eles teriam sido julgados pela morte de Feitosa.
As investigações duraram quase uma década. No final, o Ministério Público ofereceu Denuncia contra a viúva, dona Teresinha Cavalcante. No seu Parecer, o então Promotor de Justiça Alípio Santana, hoje Procurador, diz não ter dúvidas, de ter sido ela, a mandante do crime., por ciúmes. Helder havia se separado dela e mantinha relacionamento com outra mulher. Na pela denunciatória, Santana aponta os pistoleiros e o valor pago.
NÃO VALEUMas, o juiz Orlando Martins Pinheiro, titular da 1ª Vara do crime e presidente do Tribunal Popular do Júri não se convenceu dos argumentos oferecidos pelo Promotor e rejeitou a Denuncia. Assim, o assassinato de Helder Feitosa continua impune até hoje. O processo dormita nos arquivos da Justiça piauiense, assim como, o da doméstica Maria de Jesus das Mercês, do carteiro Elzano Ferreira de Sá e tantos outros.

Fonte : Blogueiro - Pedro Alcântara

7º- escravos e assassinos


Em 30 de junho de 1848, em Oeiras, o coronel e deputado provincial Raimundo Pereira da Silva, herói da Batalha do Jenipapo e do cerco de Caxias, onde João José da Cunha Fidié se refugiara em 1823, foi brutalmente assassinado pelos seus próprios escravos rebelados.
Os criminosos revoltaram-se em virtude dos maus tratos impostos pelos seus proprietários. Não eram tratados como seres humanos. Após o brutal homicídio, foram sacrificados de forma bárbara. Dois anos depois, na Vila do Poti, hoje bairro Poti Velho, zona Norte de Teresina, nova rebelião de escravos, nova tragédia.
O fazendeiro Manuel Lázaro de Carvalho, proprietário da fazenda Espírito Santo e um dos mais ricos do lugar, adquiriu um lote de escravos recém-chegados da África. Tinha como objetivo aumentar a sua produção agrícola. Os negros, submetidos a trabalhos pesados e a constantes castigos, decidiram reagir. E o fizeram trucidando toda a família do fazendeiro. Ao tomar conhecimento do fato, Lázaro, que estava ausente, partiu imediatamente para a fazenda.
Ao chegar no local, também foi morto pelos escravos. Apenas duas crianças, Maria Lina, de dois anos, e Cândida, de oito meses, escaparam com vida. Domiciano Carvalho, irmão de Lázaro, organizou uma milícia e escolta policial e partiu na captura dos negros rebelados. Eles foram encurralados à pouca distância e mortos a pauladas.
Houve crimes praticados por escravos em São João da Parnaíba e Valença. Um dos mais rumorosos de que se tem notícia diz respeito ao assassinato da jovem Helena Amália Dias da Silva, filha do temível e lendário Simplício Dias da Silva, o “Simplição da Parnaíba”. Aleixo era um jovem escravo de apenas 17 anos que se apaixonou perdidamente pela sinhá-moça.
Dominado pelo amor impossível, perdeu a sanidade e, no dia 5 de setembro de 1869, atacou, seviciou e tirou a vida da moça. A tragédia, ocorrida em propriedade rural da família Dias da Silva, abalou toda a comunidade. Aleixo foi preso e enforcado em praça pública. Muitos crimes abalariam o Piauí.

ESCRAVOS ASSASSINADOS — Juiz municipal suplente de Teresina, o coronel José Araújo foi acusado pela morte do escravo Vitorino, fato ocorrido em 1846. Vitorino foi apanhado em flagrante ao roubar uma peça de tecido da loja de seu proprietário, o coronel Araújo. Ele foi duramente açoitado por soldados do destacamento policial.
Bastante ferido, ficou convalescendo durante várias semanas, até que o dono pediu ao indíviduo Colatino Sidrônio Tavares da Silva que preparassem uma beberagem para o escravo. Colatino ministrou a Vitorino um purgante de óleo de rícino com enxofre, que terminou matando-o.
A mortandade entre escravos era muito grande no Piauí, tanto em virtude dos maus tratos quando pelas condições em viviam, dormindo ao relento, passando fome e frio e submetidos a jornadas estafantes de trabalho. Em 1888, quando ocorreu a independência, havia apenas quinze mil escravos no Piauí.
Monsenhor Joaquim Chaves resgata relatos terríveis da imprensa da época acerca da condição dos escravos: “A coação aparece registrada e inscrita nos corpos mutilados e andrajosos dos escravos, alguns marcados tão visivelmente, como os fugitivos Antônio Isidoro e Maria Isabel”.
Em Batalha, o proprietário rural Casimiro José de Carvalho foi acusado por Agostinho Lopes de Miranda da morte da escrava Inês, falecida na casa do acusado, após sevícias e maus tratos que lhe foram por parte dele infligidos. O acusado negou o crime: “Os peritos, procedido o exame, declararam, debaixo de juramento prestado, que nada encontraram no cadáver a escrava que denotasse lesão, sofrimento ou qualquer outro vestígio de sevícias.”
Na maioria dos casos, contudo, os escravos eram bem tratados em território. Quase ninguém, exceto um ou outro proprietário, praticava crueldades contra seus escravos. Em Teresina, já na segunda metade do século dezenove, ninguém suportava maus tratos em escravos e a imprensa atacava impiedosamente o culpado, mesmo que fosse o comandante da Polícia — figura altamente temida na época.

fonte : http://assassinatos.zip.net/

8º- Crimes atribuídos a Né de Sousa (Visconde da Parnaíba)

Nossa história de crimes estava apenas começando. Dentre as muitas ocorrências, a maioria sem qualquer registro, em 1845, registram-se dois assassinatos brutais durante o governo do Conde do Rio Pardo, Tomás Joaquim Pereira Valente. O padre Manuel Quintino de Brito e o capitão Teodoro Pereira de Castro, comandante da polícia, foram assassinados.


Era uma época de muita agitação política. A população queria a destituição de Manoel de Sousa Martins, o Visconde da Parnaíba, que exercia grande influência sobre os destinos da província. Por conta dos protestos, os assassinatos eram freqüentes, aumentando a revolta popular. Entre os dias 21 e 23 de maio de 1845, cerca de quatro mil pessoas sitiaram a capital da província, Oeiras, exigindo a retirada de Manuel de Sousa Martins e a nomeação do tenente-coronel Antônio José de Carvalho para comandar a Força Pública.


O padre Manuel Quintino de Brito e o capitão Teodoro Pereira de Castro estavam ao lado dos revoltosos. A manifestação armada resultou na prisão do governador Conde do Rio Pardo (Tomás Joaquim Pereira Valente) e do líder político Visconde da Parnaíba (Manuel de Sousa Martins), que governara a província por mais de vinte anos e que continuava dando as cartas na política local. Aconteceram muitos crimes, porém quase nenhum obteve registro na imprensa ou junto aos órgãos oficiais.


Celso Pinheiro relata, em sua obra “História da Imprensa no Piauí”: “A verdade é que no governo do brigadeiro Manuel de Sousa Martins (1776-1856), que foi barão e, depois, visconde da Parnaíba — governo que se alongou por mais de vinte anos, não havia clima para a publicação de jornais noticiosos e independentes.


Ninguém, dentro ou fora da situação governamental, àquele tempo, arriscava-se a tanto. É que havia o perigo de, mesmo inadvertidamente, desagradar ao barão, o Príncipe dos Vaqueiros, no dizer do (...) naturalista George Gardner. Era o senhor absoluto da província.” Tomás Joaquim Pereira Valente não teve outra providência a não ser entregar o cargo, que foi assumido pelo vice Francisco Xavier Cerqueira.


VISCONDE DA PARNAÍBA — Vários assassinatos são atribuídos ao Visconde da Parnaíba, Manoel de Sousa Martins, herói da independência do Piauí e governador da província do Piauí por mais de duas décadas. Nascido de família humilde, Né de Sousa, como era mais conhecido, teve que enfrentar muitas atribulações para chegar aonde chegou. Por conta disso, como não poderia deixar de ser, construiu muitas inimizades.
Enquanto governante, essas inimizades atingiram o seu ápice e ele foi muitas vezes acusado de crimes de grande repercussão. Analfabeto, Né de Sousa era muito inteligente e articulado, em virtude dos anos no serviço militar, que o transformaram num estrategista político.

Esperar a partida de Fidié para São João da Parnaíba foi um ato estratégico. O Palácio do Governo ficou desguarnecido e Né de Sousa e seus homens puderam facilmente ocupar o governo enquanto, à altura de Campo Maior, outros rebelados esperavam pelo retorno do comandante das armas.
Ao Visconde foi atribuído, em 1831, o suposto assasinato do então presidente Guimarães e Silva. Em 1838, Joaquim Seleiro foi estrangulado na cadeia pública de Oeiras, onde estava preso por conta de um atentado contra o governador. Joaquim Seleiro atingiu Né de Sousa com um tiro de espingarda na cabeça e no ombro direito. Diz-se que o governador mandou matar o desafeto.
Os vários anos de poder o tornaram ao mesmo tempo amado e odiado. Um dos seus grandes adversários foi o tenente Norberto Mendes, assassinado em 1838. Né de Sousa foi acusado de proteger os matadores do oficial. Há, ainda, em 1845, a morte do padre Quintino de Brito, um dos líderes da oposição e que atuava diretamente na contestação ao poder do Visconde.


fonte : http://assassinatos.zip.net/

9º-El Matador e a dizimação dos índios no Piauí


João do Rego Castelo Branco era também conhecido por “El Matador”. Nomeado em 1761 como tenente-coronel da Guarnição Militar do Piauí, empreendeu verdadeira carnificina contra os índios que habitavam a então capitania. Tinha muita influência junto ao governador João Pereira Caldas e tornou-se ele mesmo, posteriormente, membro da Junta de Governo da capitania.
João do Rego Castelo Branco dizimou os tacarijus, os gurguéias, os jaicós e os gamelas. Entrou para a história como um genocida que via índios como bichos e que matava todos, crianças, jovens, velhos, homens e mulheres. Os que não eram mortos, eram ferrados a fogo e escravizados.
Durante sua permanência na Junta de Governo, El Matador empreendeu guerra brutal contra os índios pimenteiras. Sua vocação sanguinária foi continuada pelo filho Félix do Rego Castelo Branco. Em 1772, Félix matou 1 100 acroás. Dois anos mais tarde, investiu contra a mesmo tribo, matando aproximadamente 400 índios.
As terríveis façanhas de El Matador e seus seguidores tornaram o Piauí no único Estado brasileiro a não ter nenhuma raça indígena. Todos foram expulsos ou mortos. Em 1780, o Ouvidor Domingos Gomes Caminha manda abrir inquérito para investigar os atos de crueldade patrocinados por João do Rêgo Castelo Branco.
O matador assume toda a culpa pelos massacres perante o juiz Marcos Francisco de Araújo Costa. Mesmo assim, não é punido. Aliás, ninguém foi punido. Em 1793, registra-se o último levante de índios contra a dominação branca. Os Tapecuás e os Tapecuás-Mirins foram expulsos pelo capitão Manoel Ribeiro Soares para o Estado de Goiás. No princípio do século dezenove já não tínhamos mais quase nenhuma tribo indígena em nosso território.


10º-

Vocação natural para o crime



Somos uma sociedade de assassinos? A história mostra que sim. São inúmeros os casos que evidenciam a vocação natural do ser humano para o crime e para a morte. Desde os tempos bíblicos que verificam-se ocorrências dessa natureza. Caim matou Abel por motivo fútil.



O rei Davi, símbolo da grandeza do povo hebreu, praticou inúmeros homicídios, muitos dos quais apenas para saciar seus desejos sexuais. No Piauí, desde tempos imemoriais que se praticam crimes. A maioria permanece impune. Seus autores são aclamados líderes ou protegidos pela influência familiar e poder econômico. Infelizmente, muitos crimes ficaram sem registro no período da colonização e durante os regimes de exceção. Havia censura à imprensa.



Os intelectuais, na sua maioria, ou eram comprometidos com o poder ou davam pouca importância ao que se passava à sua volta. Mesmo assim, é possível levantar alguns dados sobre crimes praticados na época colonial. Um dos primeiros crimes de que se tem notícia na história do Piauí está relacionado ao massacre dos índios, que ocorreu de forma contínua desde o primeiro momento em que se fez presente no território o fazendeiro-explorador.



De acordo com o historiador Paulo Machado, "o século compreendido entre 1613 e 1713 foi tempo suficiente para muitos confrontos entre brancos e índios, na região que hoje corresponde ao Estado do Piauí."

OS ÍNDIOS NO PIAUÍ

Havia nada menos que cinqüenta tribos indígenas habitando as mais diversas regiões do território. De acordo com Monsenhor Joaquim Chaves, no livro "O Índio no Solo Piauiense", Domingos Jorge Velho foi o primeiro homem branco que hostilizou o índio em seu próprio habitat, a partir de 1662. A partir de 1674, os silvícolas começaram a ser molestados pelos guerreiros da Casa da Torre de Garcia de Ávila.

Em 1676, uma expedição comandada por Francisco Dias de Ávila e Domingos Rodrigues de Carvalho exterminou cerca de quinhentos Gueguês na fronteira do Piauí. Esse foi o primeiro massacre registrado pela história. Domingos Afonso Sertão foi a principal figura do desbravamento e colonização do solo piauiense, onde estabeleceu trinta fazendas de gado.

Seus métodos de ocupação eram terríveis para os nativos. Em 1679, os Tremembés, que dominavam o baixo Parnaíba e seu delta foram trucidados por uma expedição comanda por Vital Maciel Parente. Em 1722, os chamados "peixes racionais" — por serem exímios nadadores e valentes guerreiros — foram submetidos definitivamente.

GUERRA CONTRA OS SILVÍCOLAS

Em 1759, já o Piauí tendo alcançado a condição de capitania, o governador João Pereira Caldas pede à Sua Majestade autorização para empreender guerra contra os silvícolas, a quem acusa de promoverem matança e saques generalizados entre os colonizadores. É aí que entra a tétrica figura de João do Rêgo Castelo Branco, o mais sanguinário entre todos os matadores de índios de que se tem notícia.

Escrito por Toni Rodrigues

veja mais

fonte : http://assassinatos.zip.net/


edição : Carlos Sousa









Nenhum comentário:

Postar um comentário

18 de Fevereiro - Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo

Fevereiro é mês de combater os males causados pelas bebidas alcoólicas. Mas especificamente no dia 18, quando inicia a Semana Nacional d...