
Escudos para se proteger do que?
Esse texto é uma pequena reflexão sobre o retrocesso
previsto a 4 anos atrás pelo ativista Domiciano Siqueira presidente da (aborda)
Associação Brasileira de Redutoras e Redutores de Danos
Ativista conhecido em boa parte do país, Domiciano Siqueira
concede entrevista ao (En) Cena para falar sobre os impactos que a nomeação de Valencius
Wurch Duarte Filho traz para as políticas públicas destinadas a usuários de
álcool e outras drogas, além de toda a rede de atenção psicossocial e Saúde
Mental. Domiciano diz que se nada for
feito, não apenas os usuários destes serviços serão impactados negativamente,
mas uma gama de profissionais envolvidos nestas políticas públicas, como
psicólogos, por exemplo.
Profissional voltado às áreas de Saúde, Educação e Justiça
com sólida experiência no setor, junto às organizações governamentais, não
governamentais e de iniciativa privada, Domiciano Siqueira tem vivência em
treinamentos, elaboração de programas de prevenção, levantamento de
necessidades e implantação de novos sistemas de prevenção à AIDS e ao uso
indevido de drogas. Além disso, detém habilidade na implantação e coordenação
de projetos de vanguarda promovendo a inserção, manutenção e avaliação de
trabalhos, racionalizando custos e otimizando programas já existentes.
Domiciano também tem um importante trabalho junto a
programas de Redução de Danos, visando a diminuição na propagação de doenças
(DSTs), e a melhoria de vida na população de usuários de drogas (UDs), como a
troca de seringas e distribuição de insumos. Por fim, Domiciano Siqueira tem
vasta experiência em assessoria e organização de eventos na área deRedução de
Danos, Direitos Humanos e outros. Abaixo, confira a entrevista na íntegra.
(En)Cena – Qual o impacto da nomeação de Valencius Wurch
Duarte Filho para as políticas públicas destinadas a usuários de álcool e
outras drogas?
Domiciano Siqueira – O impacto será desastroso, pois, antes
de atingir usuários, certamente atingirá os profissionais que trabalham com
essas pessoas. Certas conquistas são muito mais políticas do que técnicas e
administrativas. E se são conquistas políticas, são fruto dos debates e precisam
ser respeitadas. Esse tipo de retrocesso reabre as portas não só dos
manicômios, mas do medo, da insegurança e do desrespeito. Política pública é
aquela que a gente faz e o estado implementa, não o contrário.
(En)Cena – Como
ativista, quais as suas principais ênfases nesta área e, com esta mudança
política no MS, qual o futuro das políticas públicas para o setor?
Domiciano Siqueira – Como ativista, assim como tantos
outros que lutaram ainda muito mais do que eu, sinto-me estimulado a continuar
com muito mais veemência a luta pela garantia dos Direitos Civis. Há ladrões
que roubam dinheiro, há ladrões que roubam dignidade. Não será a primeira vez
que somos chamados a lutar e empunhar bandeiras em favor da coerência e da
liberdade.
(En)Cena – Como está o atual panorama da redução de danos,
no âmbito da saúde pública federal?
Domiciano Siqueira – A Redução de Danos é um dos frutos
da Luta Antimanicomial, da Reforma Psiquiátrica, mas, acima de tudo, fruto do
desejo de inclusão, de respeito e dignidade com relação a grupos e minorias
historicamente abandonados. Num quadro como o atual a RD se torna ainda mais
necessária.
(En) Cena – Quais as ações que grupos organizados estão
tomando a fim de evitar esta guinada rumo à onda manicomial? Há um movimento
político de pressão? Se sim, haverá sucesso, diante do atual momento de enfraquecimento
das esquerdas?
Domiciano Siqueira – Não vejo insucesso, encaro como
mais uma importante batalha. Pelas redes sociais já é possível vislumbrar um
verdadeiro “levante” contra esse atraso. É uma situação que deverá gerar uma
grande onda de discussões, debates e embates, que vão contribuir com o
amadurecimento da proposta antimanicomial, com o desejo de uma sociedade de bem-estar
para todos e não apenas para alguns.
(En) Cena – Qual o impacto que esta mudança de postura do
MS, na área de saúde mental, traz para o SUS, de modo geral?
Domiciano Siqueira – O SUS já vem sendo combatido há
bastante tempo e com mais ferocidade depois que vieram governos mais populares.
Permaneço afirmando que continuaremos a trabalhar por um SUS melhor, por uma
sociedade mais justa e igualitária. Será mais uma vez que a Saúde deverá ditar
os passos nessa direção.
(En) Cena – Esta atitude do MS, que explicitamente nomeia um
diretor pró-manicômio, vem de acordo com os movimentos internacionais, ou está
totalmente na contramão?
Domiciano Siqueira – O mundo é cada vez mais e mais
capitalista. O famoso modelo neoliberal continua forte na tentativa de
construir um mundo de acordo com o que acreditam, e tem muita força. Confio, no
entanto, que as mudanças ocorrem, mesmo em meio a retrocessos e obstáculos e
isso vai contribuir com o avanço das propostas sociais e humanistas. Não penso
em derrota ou vitória, penso em luta!
(En) Cena – Quais as suas considerações finais sobre o tema?
Domiciano Siqueira – Não sou especificamente um otimista,
mas “nunca antes na história desse país” se viu tanta consciência à disposição
das pessoas. Se esse processo ainda esbarra na necessidade de definir o que é
maioria e o que é minoria… é democracia.
Prisão perpetua em manicômio judiciário
Domiciano Sirqueira : http://domicianosiqueira.blogspot.com.br/
Fonte: internet
Edição: Carlos Sousa

Nenhum comentário:
Postar um comentário