
Amigos e amigas,
companheiros e companheiras, quando chega a quinta-feira, percebemos que o
clima na região é sinistro, às vezes assustadoras no BR-obro, chega até a
desesperar. São 36, 37, 38, 39, calor demais! Sobrevivemos na adolescência, sobrevivemos
na juventude, observamos que não há o que fazer! Julgam pelo passado, nos julgam,
apenas nos julgam! Muito difícil ter palavras de apoio, tipo uma luz no fundo
do túnel, fizemos coisas erradas e coisas boas.
Nas comunidades funcionam
assim! O povo só ver o lado negativo da juventude e adolescentes, chegando os
finais de semana, todo mundo tenso e estressado, o tedio domina o ambiente, uns
falam de religião, outros falam da vida alheia, outros falam de violência, uns
só falam de futebol, sentimos o vento quente no rosto, chega até ressecar os
lábios.
No gueto e vilas costuma
ser assim! Pouco dinheiro, não tem muitas expectativas, uns tem um pouco,
outros não tem nada, poderia mudar? “SIM’, mudar para nós mesmos, mudar para minha
família... Certo que mudamos uns para melhor e outros para pior. Da zona sul, norte,
leste, oeste e sudeste percorremos de ônibus e bicicletas, às vezes lavando
carros, vigiando carros, o importante é o trabalho, não temos vergonha de
trabalhar. Nós temos medos, temos angústias também! Enfrentamos de cabeça
erguida, as vezes de cabeça baixa, passamos por provas não muito fáceis,
venceremos na perseverança, quando não há perseverança fica pior, amamos e
odiamos. Alguns sabem ler, outros não sabem ler e tampouco escrever. Trazemos
esperança e informação “boas e ruins”.
Continuaremos a seguir em
frente, quando os problemas aparecem, percebemos que é o fim, gritos, brigas,
cachorros latindo nas ruas, alguns aguardando as más notícias, acordamos
pensativos todos os dias. A violência está em todos os lugares, continuemos a
respeitar os mais antigos, continuaremos a trabalhar em qualquer lugar. O sol
cada vez mais quente e seco, o vento é só poeira, poeira na cara todo dia!
Pedimos proteção a Deus!
Às vezes somos abençoados por religiosos, seguimos embalados pela música: “Uns
se arrependem, outros faz tudo outra vez, uns compreendem, outros nem sabem o
que fez, uns diz que amam, outros odeiam o que diz, uns só querem fama, outros
só querem ser feliz, uns necessitam ter o mundo pra sentir o amor, outros se
contentam com um simples buquê de flores”. [Tribo da Periferia]. A música nos
embala, a fé em Deus também em primeiro lugar.
Sonhamos andar de trem, sonhamos
andar de carro ou moto, temos que sair sozinhos em busca de algo, algo bom para
sobreviver, não sofrer. Queremos ser felizes, queremos dignidade, nossas vidas
não se resumem em drogas, violência, mortes. Pensamos sim em um mundo melhor,
sem racismo, sem violência doméstica e sem barulho. Respeitamos os religiosos,
respeitamos as autoridades, só ficaremos com raiva quando os religiosos e
autoridades nos tratam mal com arrogância e egocentrismo.
Mesmo na juventude,
observamos que a saúde começa a pedir cuidados, a saúde nos pede para nos
cuidar melhor, na alimentação principalmente. Nas comunidades e periferias
sabemos que não existe dietas, não existem regimes, os pés cinza rachados na
havaiana, cabelo raspado caminhando no sol estarrecedor. Aguardamos por oportunidades
de uma vida melhor! A periferia pede paz, a paz que não conhecemos ainda!
(Sobrevivemos 3.2 ).
Texto: Carlos Sousa
Edição : Tacyane Machado
Por : Carlos Sousa
Ativista social da
Periferia de Teresina

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